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Por Que Eu Criei um App de Preparação para Certificações

Sou product manager e pai de dois filhos. Cursos de treinamento custam uma fortuna e as ferramentas de estudo não funcionam no celular. Então eu construí o que precisava.

Quinze minutos

É o máximo de tempo ininterrupto que eu consigo num dia bom. Talvez seja o S-Bahn de Zürich HB até o escritório. Talvez seja o finalzinho de uma soneca que durou mais do que o esperado. Talvez minha esposa tenha levado as duas crianças pro parquinho e eu esteja na cozinha com o celular e um café frio.

Tenho dois filhos pequenos. Trabalho em tempo integral como Product Manager na Axpo, uma das maiores empresas de energia da Suíça. Minha agenda é lotada das 8 às 18 — roadmaps, reuniões com stakeholders, sprint reviews. Depois é jantar, banho, histórias, escovar os dentes, aquela longa negociação sobre se realmente precisamos de água de novo ou se é só uma tática pra atrasar a hora de dormir.

Então quando eu estudo para certificações de TI?

Nesses intervalos de quinze minutos. No trem. Na sala de espera do pediatra. Naquela janela curta depois que as duas crianças dormiram, mas antes de eu estar cansado demais pra pensar.

Isso não é reclamação. Gosto do meu trabalho. Gosto dos meus filhos. Mas significa que qualquer método de estudo que exija que eu sente numa mesa por duas horas com um livro já está morto antes de começar.

O problema do custo

Na Axpo, como na maioria das grandes empresas, certificações de TI importam. Elas aparecem em descrições de vagas, em decisões de alocação de projetos, em conversas sobre quem é qualificado para liderar uma migração para a nuvem. Se você é PM trabalhando com times técnicos — e eu sou — ter uma ou duas certificações sinaliza que você fala a língua, não só os slides.

O problema é quanto custa chegar lá.

Um curso de treinamento custa de 500 a 2.000 CHF. Isso por alguns dias de conteúdo com instrutor que você pode ou não reter. Alguns empregadores cobrem. Outros não. De qualquer forma, é muito dinheiro para algo que se resume a “alguém falou pra você por 16 horas.”

Depois vêm os simulados. Os decentes custam de 30 a 50 CHF por conjunto. Você esgota um numa noite. Quer praticar em todos os domínios do exame? São três ou quatro conjuntos. De repente você gastou 150 CHF em prática antes mesmo de agendar o exame de verdade.

E o próprio exame custa mais 150 a 300 CHF, dependendo do vendor e do nível.

Somando tudo, uma única certificação pode custar mais de 2.000 CHF. Por um conhecimento que você poderia, em teoria, simplesmente aprender.

O celular no bolso

Essa foi a parte que realmente me irritou.

Eu comprava um conjunto de simulados, abria no celular no trem — o único momento que eu realmente tenho pra estudar — e a interface era inutilizável. Botões minúsculos. Rolagem horizontal. Tabelas que saíam da tela. Explicações de respostas que exigiam pinçar e dar zoom pra ler.

Essas ferramentas foram feitas pra alguém sentado numa mesa com um monitor de 27 polegadas. Essa pessoa tem duas horas pra estudar. Eu tenho quinze minutos num trem em movimento tentando não perder minha estação.

Testei três ou quatro plataformas diferentes. Mesma história. Desktop primeiro, mobile como improviso. Algumas nem tinham layout mobile — era só a versão desktop encolhida até ficar ilegível.

A coisa toda parecia invertida. As pessoas que mais precisam de preparação para certificações — profissionais que trabalham e têm pouco tempo — são as menos propensas a estar sentadas numa mesa sem nada pra fazer.

Como eu realmente aprendo

Quando eu estava estudando para o exame Azure Fundamentals — o AZ-900 — percebi algo sobre meu próprio processo.

Eu começava um tópico lendo a documentação da Microsoft. Ok. Útil. Mas eu não sabia realmente nada até começar a responder perguntas sobre o assunto. Errar, ler a explicação e acertar na próxima vez — era aí que o aprendizado acontecia.

Não no vídeo. Não nos slides. No erro.

Comecei a pular cursos inteiros e ir direto para questões de prática. Quando errava algo, lia a explicação, voltava à documentação se precisasse e seguia em frente. Era mais rápido. Fixava melhor. E cabia em quinze minutos.

Passei no AZ-900. Não porque assisti 30 horas de vídeo. Porque respondi centenas de questões e prestei atenção em por que errei as coisas.

Essa foi a prova de conceito. Não de um produto — apenas de um método. Estudo com prática primeiro funciona, especialmente quando seu tempo vem em fatias finas.

O que não existia

Depois do AZ-900, comecei a pensar em como seria a ferramenta ideal para alguém na minha situação.

Funcionaria no celular. Não “tecnicamente renderiza no celular” — realmente projetada pra isso. Amigável pro polegar. Legível sem zoom. Algo que você pudesse usar com uma mão no S-Bahn.

Seria acessível. Não 50 CHF por conjunto de prática que você esgota em duas sessões. Algo que permitisse praticar um exame inteiro sem ficar fazendo conta mental se cada sessão “valeu a pena.”

Mediria se você está realmente pronto, não apenas quantas questões respondeu. Uma pontuação percentual num conjunto fixo de questões diz muito pouco depois que você viu aquelas questões duas vezes. Eu queria algo mais parecido com o que o GRE ou GMAT fazem — pontuação de prontidão baseada na Teoria de Resposta ao Item, onde o sistema modela sua habilidade em relação ao limiar de dificuldade do exame.

E se adaptaria. Se eu sou forte em um domínio e fraco em outro, para de me testar no forte. Coloca as questões difíceis na minha frente. Usa dificuldade adaptativa pra fazer cada um desses quinze minutos contar.

Procurei essa ferramenta. Ela não existia.

Então eu construí

Sou product manager, não desenvolvedor por formação. Mas sei como escopar um produto, validar um problema e encontrar as pessoas certas pra construir junto. O problema era claro porque eu era o usuário.

O Pass-IT começou como o app que eu queria ter tido durante o AZ-900. Questões de prática geradas a partir de documentação oficial dos vendors — não dumps reciclados que ficam obsoletos quando um serviço é atualizado. Explicações para cada alternativa, não só a correta. Por que A está certa, e especificamente por que B, C e D estão erradas. É aí que o aprendizado acontece.

Sete tipos de questão, porque exames reais não são só múltipla escolha. Múltipla resposta, ordenação, associação, arrastar e soltar, preencher lacunas, questões de matriz. Se o exame usa, a preparação também deveria.

A pontuação de prontidão roda em IRT — a mesma matemática por trás do GRE e GMAT. Não conta apenas respostas certas. Modela sua habilidade por domínio, leva em conta a dificuldade das questões e diz se você passaria se fizesse o exame hoje. Essa é a pergunta que ninguém mais estava respondendo.

E funciona no celular. Isso não era uma feature. Era o ponto inteiro.

Onde as coisas estão

O Pass-IT cobre agora mais de 90 certificações, distribuídas em sete vendors — Microsoft, CompTIA, Google Cloud, AWS, Snowflake, Databricks e HashiCorp. As questões acompanham a documentação oficial, então quando um vendor atualiza um serviço, o conteúdo reflete isso.

É bootstrapped. Só eu, de Zürich. Sem investimento de venture capital, sem time de growth. Construí porque precisava, e acontece que outras pessoas — pais que trabalham, profissionais estudando nas horas vagas, gente com quinze minutos e um celular — também precisam.

Tem um trial gratuito. Sem cartão de crédito. Sempre odiei o modelo onde você entrega seus dados de pagamento antes de ver se a coisa funciona.

Ainda sou PM na Axpo. Ainda faço certificações. Ainda estudo no trem. A diferença é que agora a ferramenta que uso foi realmente construída pro jeito que eu estudo — em intervalos curtos, numa tela pequena, aprendendo com meus erros.

Se isso parece com a sua situação, talvez valha dar uma olhada.

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